Argentina analisa reduzir pedágio na Hidrovia Paraguai-Paraná

Data:

Implantada de forma unilateral, cobrança de pedágio é contestada pelos governos do Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai

– H2FOZ*

O atual governo da Argentina planeja continuar cobrando o pedágio implantado, no final de 2022, na hidrovia do Rio Paraná. Foi o que sinalizou, nesta semana, a ministra das Relações Exteriores do país, Diana Mondino.

Hidrovia Paraguai-Paraná percorre cinco países – Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai –, com uma extensão navegável de 4.122 km.

Mondino esteve no Paraguai para participar de uma reunião entre os chanceleres do Mercosul, tendo como foco temas como a retomada das negociações para a implantação do acordo de livre comércio com a União Europeia.

Perguntada sobre a posição da gestão de Javier Milei quanto ao pedágio no trecho argentino da hidrovia, questionado pelos governos de Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai, Mondino disse que uma das possibilidades é rever a tarifa de US$ 1,47 (cerca de R$ 7,50) por tonelada transportada.

“O que estamos dispostos é a discutir e eventualmente reduzir o valor da tarifa”, afirmou Mondino, em conferência de imprensa. “Há uma série de obras e há um custo que precisa ser coberto. O que precisamos definir é quem vai cobrir e por qual valor.”

Caso não haja uma solução, Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai analisam levar a disputa aos tribunais internacionais, argumentando que a Argentina deveria ter consultado os pares antes de implementar a cobrança.

Ainda durante a gestão de Alberto Fernández (finalizada em dezembro), o governo argentino rebateu os questionamentos alegando que o acordo multilateral de navegação da hidrovia permite a adoção de tarifas por obras realizadas.

A controvérsia subiu de tom em julho de 2023, quando a Justiça Federal argentina emitiu sentenças determinando a retenção de barcos inadimplentes, até que as dívidas pelas tarifas não pagas fossem devidamente regularizadas.

O país mais prejudicado pela aplicação do pedágio é o Paraguai, que escoa cerca de 90% de sua produção agrícola pelas águas do Rio Paraná. A hidrovia é utilizada, também, para a importação de produtos essenciais, como combustíveis e bens de consumo.

(*) Guilherme Wojciechowski é repórter colaborador do H2FOZ.
Foto do destaque – Divulgação Foto: Entidad Binacional Yacyretá (Arquivo)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine nossa Newsletter

Popular

Notícias
Relacionadas

Bonito sediará dois grandes eventos Internacionais de turismo em 2025

Indicação da Capital do Ecoturismo para sediar o AventureELEVATE,...

A tecnologia às avessas

A tecnologia às avessas enriqueceu os planaltinos e condenou...

Energia solar avança no Brasil e bate marca de 38 GW

Com mais de R$ 184 bilhões em investimentos, setor...

“Não podemos aceitar calados”, reage a Fiems sobre aumento da carga tributária

Em artigo, Fiems conclama os parlamentares sul-mato-grossenses para que...